Assessoria de imprensa e cultura do cancelamento: qual o papel das agências nesse cenário?

Responsabilidade e transparência são ainda mais cobradas pela cultura do cancelamento; e as assessorias de imprensa devem lidar com muito mais do que as “simples” gestões de crise


Sabia que a Cultura do Cancelamento é considerada o “termo do ano de 2019” e vem se fortalecendo cada vez mais? Isso porque o “Tribunal Virtual” não se preocupa apenas com as posições publicadas nas mídias. Basta a personalidade ter uma opinião que vai contra a maioria, polêmica ou não, curtir uma foto, não se posicionar politicamente ou sobre assuntos da atualidade para ser alvo desse cancelamento.


E como tudo isso vem ocorrendo com uma velocidade intensa, pode ser que você esteja se perguntando como a cultura do cancelamento pode prejudicar sua marca. Crises de imagem afetam a reputação das empresas e o relacionamento com clientes de forma negativa, e isso, consequentemente, acaba prejudicando as vendas. Para lidar com a cultura do cancelamento de forma preventiva e eficaz, é importante contar com especialistas em comunicação, como as assessorias de imprensa.


Mas, qual o papel das assessorias de imprensa na cultura do cancelamento?


  • Educar e evitar o cancelamento com media training.

Uma das principais ferramentas do trabalho de assessoria de imprensa, o media training, por exemplo, é um grande aliado para a prevenção do cancelamento de marcas e pessoas. Esse treinamento, oferecido por especialistas e agências, ensina boas práticas no contato com a imprensa, como se portar em entrevistas e como evitar saias-justas na comunicação, tanto na rotina, quanto no universo digital.


  • Planejar e monitorar pautas da cultura do cancelamento com o clipping.

Ainda, o plano estratégico de comunicação das marcas, desenvolvido pelas assessorias, também busca divulgar pautas positivas para as companhias e assessorados em geral, limitando os temas negativos. Por meio do clipping (monitoramento de notícias), assessorias e clientes conseguem monitorar as notícias tanto de sua empresa, quanto de concorrentes e de todo o setor, antecipando-se assim de “pautas bomba”.

  • Incentivar que os propósitos da marca estejam alinhados com suas ações.

Durante a imersão no conteúdo dos clientes e em reuniões de alinhamento de briefing, é possível que empresários e colaboradores das equipes de marketing e comunicação consigam enxergar o “todo” da empresa com mais clareza. Nesse sentido, reforçamos a importância de o propósito estar alinhado à gestão. Afinal com uma gestão integrada e coesa, o propósito da empresa ganha visibilidade e é difundido todos os dias, evitando erros que possam “cancelar” a imagem da marca.

  • Fui cancelado, e agora? Socorro, assessoria de imprensa!

Mais do que prestadores de serviços, a maioria das agências de assessorias de imprensa atua de forma colaborativa com os clientes. Isso significa uma presença ativa no dia a dia das marcas, auxiliando empresas desde o seu marketing de conteúdo até o posicionamento de produtos e serviços. Na prática, essa parceria não deve ser quebrada no momento em que o cliente mais precisa de ajuda.


Infelizmente, foi o que vimos em tempo real no caso do ex-BBB Lucas Penteado. Após algumas desavenças no reality show, no dia seguinte aos ocorridos, a agência que o assessorava optou por não trabalhar mais com o ator. Independente dos motivos que levaram a empresa a optar por esse caminho, hoje, Lucas conquistou milhares de brasileiros e milhões de seguidores em suas redes sociais, dando a volta por cima - fica o aprendizado de que “abandonar o barco” nem sempre é a melhor opção.


Na verdade, o papel das assessorias de imprensa nos momentos de cancelamento é justamente o oposto: traçar um plano de gestão de crise e treinar clientes e seus colaboradores para amenizar o problema. Seja com ações nas redes sociais, notas de explicação e/ou repúdio ou mesmo com um breve silêncio, sempre é possível recuperar reputações com estratégia, inteligência e responsabilidade.


A cultura do cancelamento deve ser cancelada?

Por mais que o bloquear uma pessoa possa parecer um poder de protesto digital, isso pode também ser visto como uma violência à liberdade de expressão, além de excluir a possibilidade de diálogo com quem pensa diferente. “O instinto humano de um grupo querer silenciar outro é o de sempre”, afirmou recentemente Anne Applebaum em entrevista à Revista Veja.


Filipe Campelo, doutor em filosofia pela Universidade de Frankfurt e coordenador do Núcleo de Estudos em Filosofia Política e Ética da Universidade Federal de Pernambuco, declarou que nem sempre quem grita tem razão. Por isso, vale a pena pensar bem antes de entrar na onda do cancelamento a quem quer que seja. E, se precisar de uma assessoria de imprensa para ajudá-lo com esse problema, fale com a gente!